Calma, você não entendeu errado, é isso mesmo: se você precisa emagrecer, o sal é um grande aliado no processo e isso não quer dizer que você vai entrar para o grupo de 31,3 milhões de brasileiros que sofrem com a hipertensão¹.
Vamos primeiro analisar a relação da dieta baixa em sal com a hipertensão para depois eu te mostrar porque aquele pó branco que você coloca na comida e chama de sal, não é o que parece. Vem comigo.
Para você ter uma ideia como esse assunto é debatido e estudado, em pesquisa² realizada pelo Dr. Franz Messerli na Medline, a base de dados bibliográficos da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, ele catalogou mais de 17 mil artigos publicados, de 1966 a 2001 sobre sal, pressão alta, sódio e hipertensão.
Dieta Baixa em Sal e Hipertensão
A questão começa em 1904 quando Ambar e Beujard realizaram estudos em animais com doses de sal refinado 20 vezes maiores que o recomendado. Qual foi o resultado? A pressão aumentou! Lógico. Se a recomendação é você beber 2 litros de água por dia, experimente beber 40 litros e veja o que acontece. Houve uma extrapolação do estudo em animais com o sal refinado (fique a tento a esse detalhe era refinado) e isso foi trazido para a espécie humana.
Em 1979, veio a setença no relatório³ do Departamento Americano de Saúde, Educação e Bem-estar, de que a pressão alta era causada pela ingestão excessiva de sal e era preciso reduzir o consumo:
“… studies in genetically predisposed animals show a cause-effect relationship between high salt intake and elevated blood pressure. Studies in man also suggest such a relationship and show, too, that when hypertension is present controlling salt intake can help combat it.”
Ou seja, os estudos em animais geneticamente predispostos mostrou uma relação de causa e efeito entre alto consumo de sal e pressão alta. Estudos em humanos sugerem a mesma relação.
A ordem então é diminuir o consumo de sal, certo? Vejamos agora o Intersalt Trial(4), estudo que analisou a ingestão de sal e o aumento da pressão arterial e contou com a participação de 10 mil indivíduos de 39 países. A conclusão da pesquisa foi que uma redução drástica na ingestão de sal resultou em uma diminuição mínima de 3 – 6 mmHg na pressão sistólica e 0,3mmHg na pressão diastólica. Muito pouco.
Já num levantamento realizado pelo Instituto Cochrane (5) – que analisou 57 ensaios clínicos sobre dieta baixa em sal, em um período de 25 anos – verificou-se que o efeito hipotensivo de uma dieta baixa em sal foi de 1,27 mmHg para a pressão sistólica e 0,54 mmHg para a pressão diastólica.
O que isso quer dizer? Num paciente com uma pressão de 18 x 9,5, a dieta baixa em sal resultou numa pressão de 17,9 por 9,49. Quase nada. Será que é por isso que o cara deixa de comer sal e mesmo assim tem que tomar remédio a vida inteira para baixar a pressão? Sim, porque se o problema era o sal porque a pressão não normaliza quando você deixa de consumí-lo??
Sal e Emagrecimento Saudável: Uma Coisa é Uma Coisa, Outra Coisa é Outra Coisa
Porque eu estou mostrando tudo isso? Para que você se encha de sal a partir de agora? De jeito nenhum! O objetivo é você entender que o sal refinado, que a gente compra no supermercado, é algo completamente diferente do sal grosso, que utilizamos no churrasco. E os estudos na literatura que afirmam “sal aumenta a hipertensão”, foram todos feitos com sal refinado.
A fabricação de sal refinado é a seguinte, demonstrada pelo Dr. Lair Ribeiro, no seu artigo(6) “Sal: Ingerir ou Não Ingerir? Vião ou Herói?": a indústria pegam o sal grosso marinho, que contém 45 minerais acrescentam 4 substâncias químicas nocivas: ferrocianeto de alumínio, citrato de amônia, silicato de alumínio e ácido sulfúrico.
Com isso 43 minerais são eliminados e sobram apenas o sódio (Na) e o cloro (Cl). E ainda adicionam dextrose, que é açúcar. Isso mesmo que você leu – o sal de cozinha que as pessoas utilizam tem açúcar.
E agora esse pozinho branco que salga, cheio de substâncias químicas e açúcar você chama de sal. Sem contar que nesse sal refinado tem 39% de Sódio e 60% de Cloreto. Já no sal não refinado, o grosso, tem 33% de Sódio e 50% de Cloreto.
Beleza, e o que isso tem a ver como o emagrecimento? Pense bem, primeiro você deixa de ingerir um veneno cheio de substâncias químicas e açúcar. Segundo você passa a fornecer ao seu corpo todos os minerais presentes no sal grosso, que deve ser consumido moído, o que inclusive ajuda no processo de destoxificação do organismo.
Leia também: Os Perigos Escondidos nos Sucos Detox – Eles Podem Causar Pedra nos Rins?
Sem contar que esse sal, o não refinado, também chamado sal integral é aquele que a humanidade consome há milhares de anos. Basta lembrar que o Japão é um dos povos mais saudáveis e longevos do mundo, com maior número de pessoas centenárias no planeta, e também são os que tem maior consumo de sal(7). E é claro que não estamos falando de cloreto de sódio refinado.
Lembre-se que a tendência do nosso corpo é voltar à homeostase, “um processo de auto-regulação por meio do qual sistemas biológicos tendem a manter sua estabilidade para se ajustarem a condições ótimas de sobrevivência.”
Quando você tira da sua alimetação aquilo que está impedindo seu corpo de voltar à homeostase, como o sal de cozinha, o açúcar, os produtos industrializados, o refrigerante, o álcool, os congelados, embutidos, enlatados, ou seja, tudo que é produto alimetício e não alimento, seu organismo se restabelece.
Por isso o conhecimento é fundamental e no artigo Porque Ganhamos Peso Depois do Casamento e Como Emagrecer de Volta eu te mostro as 8 Principais Informações Equivocadas Que Te Impedem de Emagrecer.
Quer emagrecer? Comece por evitar de fazer como aquelas pessoas que se enchem de porcarias e acham que um chá mágico vai ajudá-las a emagrecer dormindo. Como Sócrates dizia: “Saúde não é tudo, mas tudo é nada sem saúde”. Cuide do seu corpo que é seu maior patrimônio.
Te vejo no nosso próximo artigo.
Referencial Científico
1 – Pesquisa revela que 57,4 milhões de brasileiros têm doença crônica – disponível em: <http://www.brasil.gov.br/saude/2014/12/pesquisa-revela-que-57-4-milhoes-de-brasileiros-tem-doenca-cronica>
2 – Messerli, Franz H., and Roland E. Schmieder. “Salt and hypertension: going to the heart of the matter.” Archives of internal medicine 161.4 (2001): 505-506.
3 -The Surgeon General’s Report On Health Promotion And Disease Prevention 1979. Disponível em: <https://profiles.nlm.nih.gov/ps/access/NNBBGK.pdf>
4 – Samler P. Intersalt Trial. BMJ. 1996; 18:312(704):1249-53
5 – He, Feng J, Li, Jiafu, MacGregor, Graham A. Effect of longer-term modest salt reduction on blood pressure. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2013. DOI: 10.1002/14651858.CD004937.pub2.
6 – Ribeiro, Lair “Salt: Ingest Or Not Ingest? Villain Or Hero?” Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR Vol.13,n.1,pp.06-11 (Dez 2015 – Fev 2016)
7 – Heaney, Robert P. “Role of dietary sodium in osteoporosis.” Journal of the American College of Nutrition 25.sup3 (2006): 271S-276S.

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